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Sobre isso, me perguntaram por e-mail: de que lado ficaremos?

Concordo plenamente com o Bon Jovi no que ele diz… mas o Steve Jobs não tem nada com isso… a mesma coisa aconteceu aqui no Brasil onde eu arriscaria dizer que menos de 1% da população “digitalmente inclusa” baixa/compra músicas pelo iTunes.

O Jobs só está sendo responsabilizado pelo Bon Jovi pois no EUA download gratuito de mp3 é crime de verdade e o iTunes é um dos meios que centralizaram o comércio… mas se eu tivesse que culpar alguém, eu culparia o Napster, que começou com isso em 99… o iTunes surgiu em 01 no Mac, e em 03 para Windows.

Não acho que seja questão de culpar… os tempos mudaram, o paradigma mudou… paremos pra pensar um pouco… na década de 80 e início da década de 90, quantas horas as pessoas passavam na frente do computador? Qual era o passatempo das pessoas naquela época?

Se pararmos pra pensar novamente, a indústria musical não morreu… ela se adaptou justamente pra não morrer… o que morreu, na minha opinião, foi a “magia” que antes existia… chegou a ser um passatempo meu comprar um CD, sentar no chão ao lado do som e ouvir muitas músicas pela 1a vez pois não havia outros meios para ouvir as que não tocavam nos rádios… olhando para o encarte e vendo a letra, pois, sem internet, a única fonte da letra correta era o encarte.

Se tivermos que culpar alguém pela morte dessa magia, da qual eu concordo que faz falta, devemos culpar o YouTube, rádios online, iTunes, Napster, Morpheus, KaZaA, Limewire, 4shared e torrents.

Qual a consequência da morte dessa magia? Eu arriscaria dizer que muitos não pereceberam ou discordarão… mas hoje a crença é de que não se faz mais música de qualidade… nunca mais teremos uma “Smoke on the Water”, “Bohemian Rhapsody” ou uma “Stairway to Heaven”…

Hoje a música é banalizada pela disponibilidade anytime, anywhere… ouvir a sua música “favorita do momento” é muito fácil… antes era uma questão de sorte/paciência para ouví-la na rádio ou dinheiro para comprar o LP/CD… as pessoas “enjoam” muito fácil… aliás, isso vale pra qualquer coisa: “alta disponibilidade/oferta banaliza, a raridade valoriza”… “easy comes, easy goes”… outra coisa que desacredita a música é que a tecnologia se tornou um facilitador para que “qualquer um” apareça com “música” por aí.

Pensando pelo meu lado, há músicas que eu gosto bastante hoje em dia… daquelas que eu ouço em loop infinito durante dias, percebendo cada detalhe, tentando enxergar cada intenção tanto na melodia, quanto no tom de voz, quanto na letra… mas reconheço que, se eu tiver que citar os grandes sucessos musicais da história da música, pouco provavelmente citarei algo que surgiu no século 21… isso é um “fenômeno” psicológico que foge a minha compreensão.

Mas vamos falar da indústria, que foi o que estava sendo debatido. Eu, novamente, não culparia o Jobs pela morte da indústria. Pensando pelo lado dos clientes, que é o que se aplica, o que se encontrou foi um jeito de fazer “mais com menos”. Pra que comprar um CD “inteiro” só por causa de algumas músicas? Por outro lado, por que pagar pela música que se quer, se podemos ouví-la for free no YouTube ou outras rádios online (não vou mencionar baixá-la ilicitamente, ops! Sorry.)? Eu vejo que o que aconteceu é o caminho natural das coisas. Exagerando um pouco, se a indústria da música fizesse uso apropriado dos conceitos de CRM, ela mesmo teria encontrado uma maneira de fazer as coisas chegarem onde chegaram, só que sem perder com isso.

Vejam 2 gráficos discutivelmente contraditórios que encontrei sobre o assunto:

Vejam o que aconteceu com a MTV… não sei se vocês se lembram, mas in the 80’s, era praticamente só clip… com o surgimento do YouTube, ela teve que se reinventar pra não morrer… não estou dizendo que o Marcos Mion fez/faz um bom trabalho lá, eu não assisto MTV (aliás, vi agora que ele está na RedeTV)… mas tipo, pra que ficar esperando o seu clip da “favorita do momento” passar, aguentando comerciais quando você pode ir no YouTube e assistir imediatamente e quantas vezes quiser?

Mas respondendo, de que lado fico? Continuo ficando dos dois… o Bon Jovi tá certo em dizer que a magia morreu (e não necessariamente a indústria)… podemos dizer que o Jobs regularizou a indústria dançando conforme a música que o próprio público cantou, mas até isso está mudando. Ele deu a opção que antes não existia, e as pessoas optaram.

Indo um pouco mais além, e começando a viajar, música é o uso de um dos nossos 5 sentidos, que é a audição… e isso aconteceu com ela. Se pararmos pra pensar em outro sentido, a visão, é natural que pensemos que as coisas tenham o mesmo destino… ou seja, o que aconteceu com os CDs, vai acontecer com livros, revistas e jornais de papel… it’s just a matter of time… e com um pouco de sorte, o Jobs estará vivo pra ser responsabilizado também.

Pra não falar que a visão é apenas alimentada por leitura, como citei, existe a televisão. E novamente acho natural que as coisas comecem a tomar o mesmo rumo. Isso não aconteceu antes pois até bem pouco tempo atrás, o conteúdo exibido na TV vinha dos canais e DVDs. A integração TV-internet demorou pra acontecer… e hoje tem TV que exibe arquivos diretamente de um HD externo. Existe algum fundamento para acreditarmos que a indústria de filmes/seriados não passará pela mesma coisa que passou a indústria da música?

Só pra constar, eu tenho um casal de amigos que recentemente cancelou a TV por assinatura e assiste todo o conteúdo via internet e HD externo. Eles foram os primeiros de que fiquei sabendo, e não deve demorar para que eu saiba de outros.

Bom, o que era pra ter sido uma simples resposta a e-mail, virou isso… é por isso que eu concordo quando me dizem que piscianos não conseguem responder uma simples pergunta com um simples “sim/não”.

Peace! Fui!

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