Como uma pessoa que alega não comer carne, o que foge aos costumes da nossa sociedade, assim como qualquer coisa que foge aos costumes até o ponto de serem aceitos, sou constantemente questionado (no bom e no mau sentido), pressionado, desafiado com relação a minha decisão… uma coisa que eu prometi que não faria são ataques “gratuitos” aos hábitos carnívoros (e não tenho sido tão bem sucedido nisso quanto eu gostaria)… mas me dou o direito, pra não dizer dever, de responder sempre que o fizerem, principalmente se o fazem de maneira séria e bem elaborada…

Para contextualizar, me enviaram esse link: http://chetday.com/vegmyths.htm

Li, e respondi… ao ver que a minha resposta ficou grande para responder no meio de comunicação pelo qual chegou até mim, resolvi escrever (e compartilhar) aqui e mandar um link para esse post…

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Bom, antes de qualquer coisa, a minha ressalva… eu não vou vegano… o termo “vegetariano” ainda é confuso… o que eu digo é: “eu não como carne, e nisso eu incluo boi, porco e frango”… se eu tiver que colocar os meus hábitos alimentares em um único termo, eu diria que eu sou “ovo-lacto-pisco-vegetariano”… o que eu vou “defender” é o não consumo de carne.

MYTH #1: Meat consumption contributes to famine and depletes the Earth’s natural resources.

O radicalismo da afirmação a transforma em mito mesmo… tirando o radicalismo de “fome mundial” e “esgotamento dos recursos naturais” e olhando apenas para o lado matemático, não tem como negar… a solução da questão de “fome mundial” e “esgotamento dos recursos naturais” vai além da mera matemática.

MYTH #2: Vitamin B12 can be obtained from plant sources.

MYTH #10: Soy products are adequate substitutes for meat and dairy products.

Isso é mito mesmo. B12, por exemplo, segundo o que li a respeito, não pode ser obtida de fontes “não animais”. Mas isso não deve justificar o consumo de produtos animais na quantidade em que consumimos. Segundo o que li, para uma pessoa que tem o hábito de consumir 100g diários de carne (considerando que fosse a única alimentação de origem animal), se houver um corte radical/abrupto/repentino de 100% de carne, os efeitos de carência de B12 serão percebidos (embora em teoria irreversíveis) após 20 meses. Há fontes “não carnes” que suprem, com “folga”, a carência de B12.

MYTH #3: Our needs for vitamin D can be met by sunlight.

Provavelmente existe alguma relação entre exposição ao sol e vitamina D. Exposição ao sol, por outro lado, não é incondicionalmente recomendável. Segundo o que li, um protetor solar com FPS nível 8, que creio ser baixo, é suficiente para bloquear esses alegados efeitos benéficos do sol para com vitamina D. A quantidade de vitamina D é maior em peixe, ou seja, em fontes “não carne”.

MYTH #4: The body’s needs for vitamin A can be entirely obtained from plant foods.

O próprio artigo alega a possibilidade de se obter vitamina A de fontes vegetais, mas sob algumas circunstâncias. Essas circunstâncias não incluem carne.

MYTH #5: Meat-eating causes osteoporosis, kidney disease, heart disease, and cancer.

MYTH #6: Saturated fats and dietary cholesterol cause heart disease, atherosclerosis, and/or cancer, and low-fat, low-cholesterol diets are healthier for people.

MYTH #7: Vegetarians live longer and have more energy and endurance than meat-eaters.

MYTH #9: Meat and saturated fat consumption have increased in the 20th century, with a corresponding increase in heart disease and cancer.

MYTH #13: Animal products contain numerous, harmful toxins.

Aqui a questão é racional e estatística. O consumo de carne é perfeitamente evitável para a sobrevivência. E a incidência dessas doenças, embora eu acredite que as causas vão além do que “mera” alimentação, é estatisticamente maior em pessoas cujo consumo de carne é excessivo (e explico: excessivo = que vai além das necessidades… sim, o nosso consumo de carne tende a ser excessivo comparado às necessidades diárias… não confundir “consumo excessivo” com “consumo excessivo comparado à média de consumo da população”, embora seja nessa segunda “definição” de excessivo em que a estatística é “favorecida”).  Existe uma diferença grande entre “comer carne” e “alimentação saudável”. O mais comum é vermos os dois extremos… ou seja, ter o “não comer carne” como saudável… e o “comer carne” como saudável… a tendência é que tudo em excesso faça mal e é importante levar em consideração a qualidade/procedência da carne (e de qualquer coisa) que consumimos. Comer carne e não comer carne não são incondicionalmente bons. Por questões capitalistas, infelizmente, ou naturalmente, muitas coisas acontecem com o que consumimos. De qualquer maneira, como eu disse, eu acredito que a causa dessas doenças vai além da “mera” alimentação.

MYTH #11: The human body is not designed for meat consumption.

Há opiniões que suportam os dois lados. Vai de cada um acreditar no que quiser acreditar.

MYTH #12: Eating animal flesh causes violent, aggressive behavior in humans.

Please.

MYTH #14: Eating meat or animal products is less “spiritual” than eating only plant foods.

MYTH #15: Eating animal foods is inhumane.

O Espiritismo, que é a doutrina/segmento/filosofia/ciência/whatever “religiosa” da qual eu mais aproximo e respeito, não condena o consumo de carne. Um palpite meu, e até onde sei, só meu, é que essa não condenação se dá por conta da compreensão do grau evolutivo em que os homens e/ou o planeta Terra se encontra. Hoje em dia, o consumo de carne é perfeitamente evitável para a sobrevivência, toda essa racionalização prevalece para justificar o prazer pelo sabor da carne. O consumo de carne existe, em grande parte, por não ter o envolvimento com o animal abatido. A nossa infinitamente questionável superioridade aos animais é consequência da nossa deficiente, porém felizmente constante, evolução moral, e é por isso que toda a discussão se dá em bases intelectuais, nas quais incluo esse texto, que finda aqui.

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